domingo, 31 de outubro de 2010
Olho aqueles que me rodeiam. Vejo pessoas a passar nos intervalos da vida das outras pessoas. Mundos separados de mundos e tudo para essas pessoas parece estar bem assim. Olho para mim mesmo e vejo-me nos intervalos daqueles que passam, mundos separados de mundos, mundos separados de mim. E tudo parece estar bem assim para as pessoas. Mundos separados de mundos que não se entendem e que se ignoram. No meio disto apareces tu, no teu mundo separado do meu mundo. E no meio de dois mundos voltamos a acreditar em milagres. No meio de mundos separados de outros mundos nasce um mundo que mais ninguém entende, só tu e eu e um mundo em que mais que explicar sentíamos que era ali que pertencíamos. E este sentir mostra um mundo explicado num olhar, porque um olhar transformava dois mundos num só. De repente é possível voltar a acreditar que não interessa que haja mundos separados de outros mundos, porque o que interessa é que finalmente nos encontramos no mundo que é nosso e que mais ninguém entende porque mais ninguém vive nele, porque mais ninguém o entende, só tu e eu e mais ninguém. E o mais ninguém é o que nos mostra que o nosso mundo é um mundo feito não para viver nos intervalos mas para viver acima deles. Não para explicar mundos separados de mundos, mas para viver o nosso mundo separado dos outros mundos, porque finalmente encontramos no mundo um mundo que entende tanto o nosso mundo que percebemos que não é outro mundo mas sim que é este o nosso mundo, que sempre foi este o nosso mundo e que só agora o encontramos. Mas o tempo vem, e o que traz com ele é aquilo que já sabíamos antes de pensarmos que é possível viver acima de mundos separados de outros mundos. O que o tempo traz é que os milagres não existem. Mas nunca hei-de esquecer que houve um mundo feito só para nós, um mundo em que um olhar mostrava aquilo que mil palavras nunca hão-de explicar, um mundo em que não eram precisas palavras para explicar, um mundo em que o sentir mostrava que dois mundos não eram dois mundos, era um mundo em que só eu te entendia e só tu me entendias, em que dois mundos num milagre se faziam um só. Mas isso era quando tu me fizeste acreditar novamente que os milagres acontecem. Depois mostraste-me que não. Claro que não...
sábado, 30 de outubro de 2010
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Vai embora, já não há onde ficares, disseste-me. E eu fui. E eu vim. Vim de ti sem ti e sem ti tenho vivido. Trouxe uma mão cheia de nada e a outra cheia da certeza de que era uma ida sem regresso. Trouxe sofrimento, dor e raiva na alma. Mas no coração foi a ti que te trouxe. Talvez por isso, quando a raiva se foi, é que dei por mim a esperar por ti, a esperar que voltasse a haver lugar para mim em ti. A raiva foi-se, mas a dor e o sofrimento ficaram, já não por me teres mandado embora mas por não me chamares de volta, por não me chamares para voltar a haver lugar para mim em ti. Esperei. Mas hoje sei que não há mais por quem esperar. Já partiste. Quando me mandaste embora também tu foste embora e só agora vejo isso, que não tenho por quem esperar porque já não há ninguém para me chamar. Desisto de ti porque não há mais de quem desistir. Desisto de ti porque hoje sei que tu já desististe de mim.
Não espero mais porque não mais há por quem esperar. Não quero partir de ti mas já nada há de ti onde ficar. Já nada de ti há porque esperar. E o meu coração não mais espera por ti. O mesmo que te trouxe quando deixou de haver lugar para mim em ti. O mesmo que terá sempre lugar para ti nele, porque nele ficarás para sempre.
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Junto umas com outras as palavras que sinto e no fim o que fica são palavras que queria dizer mas que já não fazem sentido. E apago uma a uma as palavras que sinto. E no fim o que fica é o que não mais será dito. Todas as palavras nascem para serem ditas mas nem todas as palavras nascem a tempo de serem ditas.
Avassaladora a percepção de como pequenas coisas podem mudar uma vida inteira. Quando os meus olhos se encontravam com os teus sempre soube que a primeira vez que me deixasse beijar-te a minha vida mudaria para sempre. Somos a soma do que herdamos com aquilo com que nos cruzamos ao longo da vida. Encontrar-te-às sempre entre a soma das minhas partes porque sou o que herdei mas hoje sou também o que vivi de ti. Serás sempre uma parte de mim.
Talvez um dia tudo faça sentido e venha a entender porque fomos uma estrada que preferiste não percorrer. Talvez um dia tudo faça sentido e venha a entender porque fomos uma morada apontada num papel que preferiste deixar o vento levar. Ou talvez nada faça sentido. Talvez para ti nunca tenha havido uma estrada a percorrer, só uma morada apontada num papel que sabias que um dia irias deixar que o vento levasse. E deixou de haver uma morada de nós. O que ficou foi uma estrada que hoje percorro no sentido inverso ao que foi o nosso. Não vejo o fim, mas sei que teve um início. E se teve um início então sei que terá um fim. O que um dia foi o início um dia será o fim. Acabará onde começou. E nada mais seremos que uma morada num papel que o tempo levou.
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Um bom dia não implica que o seguinte também o seja, mas traz a certeza de que nem todos os dias serão maus dias. Eu sei que hoje me fazeres menos falta do que aquela que normalmente me fazes não implica que amanhã me faças de igual modo menos falta. Sei que virão dias em que me irás fazer tanta falta quanto aquela que normalmente me fazes. Mas se hoje me fazes menos falta que aquela que ontem me fazias sei que o futuro me trará dias em que menos falta ainda me farás. E um dia a única coisa que o futuro de ti me irá trazer nada mais será que aquilo que um dia foste mas que não mais serás. O futuro só precisa de tempo. E eu tenho o tempo do meu lado.
domingo, 24 de outubro de 2010
Acreditem, colocar tudo o que se sente num beijo, num olhar ou num toque não chega. Nunca chega apesar de pensarmos que desta vez chega. Esse tipo de amor vive em muitos poucos. Os ingénuos é que pensam que do outro lado está uma das poucas pessoas que consegue ver o amor num beijo, num toque ou num olhar. Mas não vêem. Só o vêem quando é fácil vê-lo. Nós, os ingênuos, é que pensamos que com um beijo, um toque ou um olhar conseguimos mostrar que o amor são os lugares que um toque, um olhar ou beijo nos mostram. Mas nem todos definem assim o amor. Para muitos, a maioria, o amor é algo diferente. Porventura eu é que penso um amor que não existe. Porventura eu é que penso ter encontrado uma pessoa que também acredita que esse amor é isso. Mas não, não encontrei. Deixei-me levar pelas palavras de alguém que diz que existe mas cujas atitudes mostram que não. E quando chegou o dia em que tive discernimento suficiente para perceber o que o amor é para essa pessoa apercebi-me de que nunca a amei. O que amei foram as palavras que essa pessoa me trouxe. E eu não amo palavras. Detesto palavras. Amo o amor, mas tu não sabes amar, só sabes falar do que deve ser amar, mas és a última a mostrá-lo. Maldita sejas por ter acreditado nas tuas palavras. As tuas palavras só traziam o que pensas do amor, não o que tu fazes por ele. Amar não é ter coragem. Não é preciso ter coragem para amar. Para amar só é preciso amar. E é por isso que hoje sei que amo quem nunca existiu. És uma fraude. És feita de palavras que mostram o que gostarias de ser mas também de quem não tem coragem de o ser. E é por isso que te conseguirei esquecer. Porque nunca exististe. Tudo o que existiu de ti foram só palavras do que é fácil de se dizer e de se fazer. Não é difícil esquecer o que nunca existiu. E nem mais uma palavra escreverei tua. Porque de palavras tuas estou vazio. Porque não mereces nem mais uma. Porque eu fui ingénuo, mas agora já não o sou. Não o serei mais. Não por orgulho, não porque já nem as mereces. Tão só porque já não existes. Este é um fim que sempre o foi.
Dói por ter sido ingénuo, mas já não dói, porque já não o sou e porque nunca foste mais que palavras. A felicidade pode ser muita coisa. Hoje é-o porque já não és nada. E sou feliz porque já foste tudo mas hoje és nada.
Porque sei que o foste sem nunca o ter sido. Porque hoje sei que é fácil esquecer o que nunca existiu.
sábado, 23 de outubro de 2010
Hoje, pela primeira vez desde há muito, muito tempo, acordei e não foste o meu primeiro pensamento. Mais importante do que este facto por si só foi o eu não procurar explicação para o mesmo, nem quando me apercebi dele nem agora. Resumidamente, creio que hoje acordei e foste-me indiferente. Abri a janela. O sol brilhava. Fechei os olhos e procurei por ti dentro de mim nos lugares onde te guardava. Já lá não estavas. Abri os olhos e o sol sol sorriu-me. E eu, por fim, sorri.
O amor pede para ficarmos, diz-nos que quer lutar, mostra-nos que quer viver. Não sei que nome hei-de dar ao que nos pede para partir, que nos diz que não mais quer lutar, que nos mostra que quer morrer. Não sei que nome lhe hei-de dar, mas sei que amor não é. E se não é, é porque nunca foi. É muito fácil lutar quando não é preciso lutar. É muito fácil fugir quando nunca se amou.
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
terça-feira, 19 de outubro de 2010
domingo, 17 de outubro de 2010
Sei que muitas vezes me amaste mais do alguma vez amaste alguém. E em todas essas vezes a magia levou-nos onde só a magia nos leva quando amamos alguém mais do que alguma vez amamos alguém. A magia sempre esteve lá. Só que nem sempre me amaste mais do que alguma vez amaste alguém. Nem sempre quiseste. Agora a magia deixou de estar lá. Até a magia se cansa de esperar. E parte. Já partiu.
Nascemos um para o outro, dizia eu. Só faz sentido amar se foi para o outro que se nasceu. Ela não concordou. Erro meu portanto. Só se ela concordasse é que teríamos nascido um para o outro. Não há um todo quando só há uma metade. E se não nascemos um para o outro então nada mais resta senão morrermos um para o outro.
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Hoje deixei que a noite me levasse aonde só a noite me leva quando estou sozinho e quero que a noite me leve aonde só a noite me consegue levar quando estou sozinho. Deixei-me perder entre caminhos desconhecidos ainda que todos iguais. Em todos eles quis-te comigo. Em todos estiveste. Em todos senti a tua falta. Em todos percebi que o que resta é isto, ter-te em mim mas não comigo. E isto é amar, mas não é viver.
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
sábado, 9 de outubro de 2010
Todas as palavras que escrevo são palavras que sinto. Primeiro sinto. Depois escrevo. Por fim, leio. Detenho-me. Deixo que as palavras me mostrem de onde vêm. Fazem-me por fim regressar porque ainda não há palavras para sítios que não existem. Hoje, quando regressei, apaguei as palavras que senti e que depois escrevi e que, por fim, li. Vi sítios que senti mas que nunca irão existir. E as únicas palavras que sobram são palavras apagadas.
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
As palavras são provas vazias. O que as preenche são as acções. As palavras são fáceis. Sempre foram. As acções só não o são quando aquilo que se sente não é tão forte quanto aquilo que se diz. Dizer que se ama é fácil. Mostrá-lo todos os dias também o devia ser. Se não é, não se ama.
As palavras trazem esperança, as acções trazem provas. E eu já não vivo de esperanças.
terça-feira, 5 de outubro de 2010
sábado, 2 de outubro de 2010
O que doía era a saudade do que nunca foi. E nada mais que isto. Por vezes encontra-se explicação para as coisas onde menos se espera que as coisas tenham explicação. E, por isso, estas são as últimas linhas com o teu nome, porque agora, finalmente, já te consigo dizer adeus para sempre. E são linhas que já não doem. A pessoa que me ajudou a encontrar a explicação, mesmo sem que lho tenha pedido, e só ela sabe a quem me refiro, mesmo nunca vindo a ler estas linhas, terá o meu eterno agradecimento. Porque ajudou-me a escrever linhas que já não doem. E assim te digo adeus. Sem dor. E, por fim, paz.
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