domingo, 24 de outubro de 2010



Acreditem, colocar tudo o que se sente num beijo, num olhar ou num toque não chega. Nunca chega apesar de pensarmos que desta vez chega. Esse tipo de amor vive em muitos poucos. Os ingénuos é que pensam que do outro lado está uma das poucas pessoas que consegue ver o amor num beijo, num toque ou num olhar. Mas não vêem. Só o vêem quando é fácil vê-lo. Nós, os ingênuos, é que pensamos que com um beijo, um toque ou um olhar conseguimos mostrar que o amor são os lugares que um toque, um olhar ou beijo nos mostram. Mas nem todos definem assim o amor. Para muitos, a maioria, o amor é algo diferente. Porventura eu é que penso um amor que não existe. Porventura eu é que penso ter encontrado uma pessoa que também acredita que esse amor é isso. Mas não, não encontrei. Deixei-me levar pelas palavras de alguém que diz que existe mas cujas atitudes mostram que não. E quando chegou o dia em que tive discernimento suficiente para perceber o que o amor é para essa pessoa apercebi-me de que nunca a amei. O que amei foram as palavras que essa pessoa me trouxe. E eu não amo palavras. Detesto palavras. Amo o amor, mas tu não sabes amar, só sabes falar do que deve ser amar, mas és a última a mostrá-lo. Maldita sejas por ter acreditado nas tuas palavras. As tuas palavras só traziam o que pensas do amor, não o que tu fazes por ele. Amar não é ter coragem. Não é preciso ter coragem para amar. Para amar só é preciso amar. E é por isso que hoje sei que amo quem nunca existiu. És uma fraude. És feita de palavras que mostram o que gostarias de ser mas também de quem não tem coragem de o ser. E é por isso que te conseguirei esquecer. Porque nunca exististe. Tudo o que existiu de ti foram só palavras do que é fácil de se dizer e de se fazer. Não é difícil esquecer o que nunca existiu. E nem mais uma palavra escreverei tua. Porque de palavras tuas estou vazio. Porque não mereces nem mais uma. Porque eu fui ingénuo, mas agora já não o sou. Não o serei mais. Não por orgulho, não porque já nem as mereces. Tão só porque já não existes. Este é um fim que sempre o foi.
Dói por ter sido ingénuo, mas já não dói, porque já não o sou e porque nunca foste mais que palavras. A felicidade pode ser muita coisa. Hoje é-o porque já não és nada. E sou feliz porque já foste tudo mas hoje és nada.
Porque sei que o foste sem nunca o ter sido. Porque hoje sei que é fácil esquecer o que nunca existiu.

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