quinta-feira, 30 de setembro de 2010



Outrora juntava palavras de ti e todas elas faziam sentido no eco que de ti traziam. Aquilo que hoje de ti me sobra, ainda, são letras que, juntas, controem palavras cujo tempo levou o sentido. Cada segundo que passa leva uma letra de ti a morrer em mim. E hoje já não procuro por ti por entre as letras do alfabeto.



"Sobre a pele que há em mim tu não sabes nada..."






quarta-feira, 29 de setembro de 2010



Não é de ti que tenho saudades. É da ideia de ti. Tu já não existes. Já deixaste de querer existir há muito. Ofereceste-me uma ideia de ti que nunca existiu e não será fácil esquecer essa ideia de ti. Mas será fácil esquecer-te a ti.

terça-feira, 28 de setembro de 2010



Estou farto de pessoas que me querem quando precisam. Gosto de pessoas que me querem quando gostam. Precisar é sempre diferente de gostar.



Continuas a querer-me só quando me queres querer-me. E eu já não consigo fingir que quero querer-te assim. Queria-te querer-me sempre. Queria-te. Já não quero. Não assim.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010



Faltam-me as palavras que te mostram o que sinto por ti. Mas isso não mostra que não te amo. Mostra só que te amo tanto que não há palavras suficientes para to mostrar.







terça-feira, 21 de setembro de 2010





Em cada palavra que te define encontro um motivo para te amar. As palavras esgotam-se. Os motivos não.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010



Escrevo em cima de cada lembrança tua como se a soma das letras te trouxesse até mim. Procuro por ti mas estás escondida atrás das palavras.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010



Chamo-te mas tu não vens. Já não ouves. Já não vens. Durante muito tempo foste eco de mim. Hoje o único eco que oiço é o que as paredes me trazem com o teu nome.





segunda-feira, 13 de setembro de 2010



Não lamento que o presente tenha passado mas lamento que o passado não tenha presente. Mais que isso, lamento que o presente não seja o passado quando ambos não receávamos um mesmo futuro.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010



A falta de equilíbrio entre aquilo que se sente e aquilo que se pensa é o que impede as pessoas de serem felizes...



"Quando confesso o meu repúdio radical pela mentira, toda a gente diz que sou louco. E eu não defendo que se diga tudo a toda a gente; acredito apenas que devemos viver em regime de verdade com as pessoas de quem gostamos. Há excepções circunstanciais? Há. Mas a regra, a minha regra, é a verdade. O que é a verdade?, perguntava Pilatos. Também não sei, mas sei o que é a mentira. Uma mentira é uma declaração que sabemos falsa, feita com o intuito de enganar alguém. Fazer isso a quem gostamos, de modo intencional e repetido, é que é saudável? Garantem-me que sim. E eu regresso, mansamente, ao meu manicómio. "

(aqui)




A cada dia que morre a única coisa que se ganha é a descoberta de que se consegue chegar ao fim de cada um deles. A cada dia que nasce toda a coisa que se ganha é a descoberta de que é possível viver sem ti. Mas também este virá a morrer. E outro nascerá. E é tudo o que fica do resto que passa.



"Olha bem para mim, não vês amor nos meus olhos? Com uma chama imensa e pronta a queimar quem se meter entre nós. Não vês? Seja quem for."

(aqui)



Olhava o fundo dos teus olhos e via o reflexo da minha alma. Via os momentos de mim que contigo voltavam a ser. Sorrias-me com os olhos. E entre um momento e o outro eu não respirava. Tenho saudades de ponteiros parados.







quarta-feira, 8 de setembro de 2010



Yesteryears Idyll © Uwe Schmida


Yesteryears Idyll © Uwe Schmida






Não gosto de guardar lembranças que trazem recordações. Por vezes a coragem não está em seguir em frente, está em não voltar atrás.

terça-feira, 7 de setembro de 2010



Palavras há que me apetece escrever, mas são palavras do ontem que foi e do hoje que já não é. As que vão ser não as conheço. Só conheço aquelas que me apetece escrever, mas são palavras que já foram ou que já não são. Encontro no amanhã as que vão ser. Mas não são as que me apetece dizer...



Há noites assim, em que se entra no carro e deixamo-lo ir a sítios onde já não se vai mais, visitar memórias que lá permanecem, guardadas em cada pedaço. Mede-se o tempo entre o ontem e o hoje. Tudo mudou, menos as memórias que lá permanecem...



Retiro quadros das paredes da memória. Faço desaparecer os quadros, mas ficam nas paredes as marcas...



Esta noite acordei diversas vezes com uma mesma voz a chamar o meu nome. Sei qual o rosto dono da voz, mas sempre que o procurava ele nunca se mostrava por entre as luzes da noite. De manhã não soube dizer se sonhei acordado ou se acordei a sonhar.







segunda-feira, 6 de setembro de 2010



Antes de cada recomeço é preciso deixar em cada lágrima tudo o que ficou para trás. Só depois se está verdadeiramente pronto a recomeçar sem a parte de nós que deixou de ser nossa.



Faltam sempre palavras às palavras que queremos dizer. Sobram palavras ao que sentimos, só não lhes sabemos dar vida. Só sabemos dar vida a palavras que trazem dor. As outras guardamo-las para quando já não as podemos dizer.



"De encontro ao amor. A um passo. Estavam a um passo de ficarem juntos. Alguém estragou tudo. Alguém ou alguma coisa. Para ela, talvez tenha sido o medo de assumir o seu verdadeiro sentimento. Achar que não foram feitos um para o outro. Serem de mundos de tão diferentes, apesar de o dois converter-se em apenas um, quando estão juntos. Na cabeça dela era assim. Ninguém lhe tira isso da cabeça, nem o esforço que o coração faz. Nem as memórias. Nem ela própria, quando se olha ao espelho e vê aquele brilho de que todos falam. Ninguém. Muito menos ele, ou a sua presença ou a sua ausência. Para ele, talvez tenha sido a altura errada, a espera, e achar que ela andou a brincar com os seus sentimentos em vão. Nada é pior que tentar negar, tentar esconder o que é impossível esconder. Contrariando. Os sentimentos não se escolhem, não é verdade? Engraçado como isso é possível. Como nasce do nada (ou tudo). Como o nosso coração se altera por uma pessoa e não por outra. Ela sabe disso, ele também não a escolheu. Mas parece que todos os dias se deitam a pensar um no outro, em camas diferentes, sem falarem. Ficaram a um passo de ficarem juntos. A um passo."

(aqui)







É comum dizer-se que só sente a verdadeira falta das coisas na ausência definitiva das mesmas, quando já não as temos. Mas como sentir falta de algo que nunca existiu? Talvez aquilo de que sentimos falta seja da ilusão de algo existir, quando pensávamos existir. Mas quando temos discernimento suficiente para atingir esta percepção então o caminho a seguir fica mais fácil de percorrer pela ausência de bagagem a carregar. No passado fica um vazio, aquilo que existiu mais não foi do que aquilo que pensamos ter existido. Mas não existiu.